Da favela para o mundo: cultura, potência e transformação no centro do debate

KondZilla, Preto Zezé e Totó Parente debatem caminhos para transformar a potência criativa das periferias em oportunidades, renda, desenvolvimento e protagonismo.

Pauta e apuração: Suellen Correa
Edição e revisão: Thiago Pessanha e Samyra Cunha

Créditos: @hellen.adi_

A mesa “Transformação: da Favela para o Mundo” reuniu KondZilla, empresário; Preto Zezé, presidente da CUFA; e Totó Parente, secretário de Cultura e Economia Criativa de São Paulo, em uma conversa sobre o poder da cultura produzida nas periferias e os caminhos necessários para transformar criatividade e talento em desenvolvimento econômico e social.

O debate partiu de uma realidade cada vez mais evidente: a favela não é apenas consumidora de cultura. É território de criação, inovação e produção de tendências que atravessam fronteiras e alcançam o mundo. Para que toda essa potência se converta em oportunidades concretas, no entanto, é necessário ampliar o acesso a recursos, formação, investimento e políticas públicas.

Cultura periférica como potência econômica

Durante o painel, Totó Parente ressaltou a força da produção cultural que nasce nas periferias de São Paulo e defendeu a construção de políticas públicas menos burocráticas e mais acessíveis para quem movimenta a cultura nos territórios.

Entre os pontos destacados está a necessidade de desenvolver editais e mecanismos de incentivo capazes de alcançar quem está na ponta, direcionando investimentos para regiões e produtores que historicamente enfrentam mais dificuldades para acessar recursos.

A discussão mostrou que reconhecer a cultura periférica também significa compreender seu potencial econômico: ela movimenta profissionais, gera renda, cria negócios e constrói novas possibilidades de desenvolvimento dentro e fora das comunidades.

Favela, poder público e iniciativa privada

Preto Zezé destacou o papel da CUFA na construção de pontes entre as favelas, o poder público e a iniciativa privada. A atuação passa por identificar demandas reais dos territórios e transformá-las em propostas e iniciativas que possam contribuir para a construção de políticas públicas e novas oportunidades.

O debate também trouxe uma reflexão sobre a criminalização histórica de manifestações culturais periféricas, com destaque para o funk. Expressões que nasceram e se fortaleceram nas favelas enfrentaram, ao longo dos anos, preconceito e resistência antes de conquistarem reconhecimento e alcançarem públicos cada vez maiores.

Nesse cenário, ocupar espaços, disputar narrativas e ampliar a representação tornam-se movimentos fundamentais para que a cultura produzida nas periferias seja reconhecida pelo seu verdadeiro valor artístico, social e econômico.

Talento também precisa de estrutura

Ao compartilhar sua experiência, KondZilla chamou atenção para outro ponto fundamental: talento e criatividade são essenciais, mas precisam caminhar ao lado de capacitação, governança e gestão financeira.

Para artistas e empreendedores da economia criativa, transformar uma oportunidade em uma trajetória sustentável exige preparação para lidar não apenas com a criação, mas também com planejamento, negócios e administração de recursos.

KondZilla também apresentou a atuação do Instituto KondZilla, que trabalha na formação de jovens e na aproximação com oportunidades dentro da economia criativa, contribuindo para que novos talentos estejam mais preparados para ocupar diferentes espaços do mercado.

Visibilidade precisa se transformar em oportunidade

Tecnologia, educação e comunicação também estiveram no centro da conversa. Mais do que disponibilizar oportunidades, o desafio é fazer com que elas cheguem efetivamente às periferias, sejam conhecidas pela população e possam ser acessadas por quem mais precisa.

O painel deixou uma mensagem central: levar a favela para o mundo vai muito além de conquistar visibilidade. Significa criar condições para que essa visibilidade se transforme em oportunidade; para que a cultura gere renda; para que o talento encontre estrutura; e para que pessoas que vêm desses territórios tenham autonomia para construir, liderar e transformar seus próprios caminhos.

Quando a potência criativa das favelas encontra acesso, investimento e oportunidade, não é apenas o território que se transforma. Novos mercados surgem, novas histórias ganham espaço e a favela mostra ao mundo que também é lugar de inovação, negócios, cultura e futuro.

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